Casa de Areia
2004
Preparação de atores e da figuração, atuação como doublé da atriz Fernanda Montenegro.
Dir.: Andrucha Waddington
Prod.: Conspiração Filmes
Do topo de uma duna, víamos o sol e a lua lado a lado, tão grandes que parecia possível tocá-los com as mãos.
Filmado nas dunas do Maranhão, a montagem de duas mini cidades, equipes arrastando os pés nas dunas para não deixar pegadas humanas no quadro. Fui convidada a ser dublê da Fernanda Montenegro. A natureza nos deu de presente uma lua cheia que iluminava tudo.
Um filme único realizado nas lindas dunas do Maranhão. Penso que só o Andrucha faria esse filme com tantos desafios técnicos, tantos os da natureza quantos os físicos.
A Conspiração filmes fez uma produção de guerra para realizar esse filme. Na vila de Santo Amaro, uma mini cidade foi aperfeiçoada para receber mais de 100 pessoas da equipe e outra mini cidade foi construída na base das dunas para ser a base da equipe durante as filmagens. Lá, ficavam maquiagem, figurino, alimentação, redes de descanso e de onde saíamos para os diferentes pontos das dunas onde seriam nossos diferentes Sets de filmagem.
Acordávamos muito cedo, porque só poderíamos filmar das 06h às 11h da manhã, porque o sol nivelava o final das dunas e era perigoso andar por elas de carro. Só retornávamos às 14h até quando a luz do sol permitisse.
Não podíamos deixar pegadas nos locais de filmagem, porque pela história não haveriam pegadas de humanos de tênis naquelas paragens. Tudo programado com muito cuidado e perfeição pelo Andrucha, pela produção e suas equipes. Muitas histórias únicas, engraçadas e especiais aconteceram. Até um “lual” iluminado pela maior lua cheia do mundo nós tivemos lá. Nesse dia chorei de emoção. Sabia que aquele momento era único.
Amei participar desse filme. Fui convidada a ser dublê da Fernanda Montenegro, já que ela contracenava alguma vezes com ela mesma (ela mãe com ela filha). Tive que dirigir uma rural nas dunas e no pedal, deitado no chão do carro, tinha o Wilson segurando os pedais. A cada dia eu ficava mais impressionada com a competência das equipes da maquinaria e elétrica que deram show. Construíram andaimes pelas dunas da altura de um prédio de 03 andares. Tinham os "Homens Búfalos", que eram os responsáveis por irem arrastando os pés e deixarem a areia sem pegadas de humanos.
Muitos de nós da equipe tomamos soro no hospital, pois como "bichos de cidade grande" não estávamos acostumados a tanto sol e tomar banho de Rio. O "Velho Chico" tem muitas coisas na sua areia que nós, pessoas da cidade grande, não estávamos com anticorpos e preparados para pisar, segundo os médicos locais.
A última cena filmada, uma noturna, foi uma corrida contra o tempo. O sol já estava querendo tomar seu lugar, mas o Andrucha precisava de mais uns minutos da noite para concluir sua história. Muito corre-corre, muita eficiência e deu tudo certo. A natureza deu mais um presente para o Andrucha e todos nós. Foi generosa. No grito de CORTA, nos abraçamos e comemoramos com gritos, risadas e alegria de realização interior individual e coletiva com término de um trabalho inesquecível.
Poderia contar muitas outras coisas interessantes e únicas de alguns Sets de filmagem mas vou terminar com uma maravilhosa. No por do sol, no topo de uma duna, olhávamos para um lado víamos uma bola enorme, era a LUA. Em paralelo, do outro lado da lua, outra bola enorme, era o SOL. Os dois tão perto que quando esticávamos os braços dava a impressão que poderíamos tocá-los com as mãos. Olhando aquela beleza da natureza, temos a certeza de que Deus existe.
Quantas recordações, quantas histórias, quantas risadas, quanto corre-corre, quantas noites na pizzaria trazida de São Luís (a pedido do Andrucha) para termos um lugar para nos encontrarmos, relaxar depois de cada dia de trabalho, e trocarmos nossas experiências. Como disse no começo, filme único.
Mais uma vez, obrigada Andrucha, pela confiança e me permitir paticipar desse belo filme. Agradeço também, a todos da equipe e elenco.
Obrigada Deus por uma natureza tão bela.









