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O menino no espelho

2014

Preparação de atores

Dir.: Guilherme F. Zenha

Prod.: André Carreira / Camisa Listrada.

Encontrei crianças “digitais” e para que elas entendessem o que era ser criança em 1940, pedi a elas e aos pais que as afastassem das tecnologias. No começo as crianças ficaram irritadas comigo, mas fui as levando para brincadeiras naturais, com eles construindo seus próprios brinquedos e conversando sobre o lado bom de ser criança.

minha trajetória com o filme

Dirigido por Guilherme Fiúza, esse filme foi especial por ter sido realizado na época dos anos 40. A cidade bucólica de Cataguases em Minas Gerais, com um trem cortando suas ruas e o som do seu apito foi a escolhida como “cenário” e nos remetia a esses anos distantes de todos nós, principalmente, das crianças do elenco do filme. Na preparação desse elenco encontrei pessoas bem diferentes tanto no poder econômico como culturalmente. Muitas vezes ajo como psicóloga para lidar com essas diferenças, para que eles não se magoem e nem criem preconceitos bobos.

Encontrei crianças “digitais” e para que elas entendessem o que era ser criança em 1940, pedi a elas e aos pais que as afastassem das tecnologias, porque as poucas horas que tínhamos de ensaios não dariam o entendimento necessário para que entendessem tantas diferenças de época. No começo as crianças ficaram irritadas comigo mas fui levando para as brincadeiras naturais, com eles construindo seus próprios brinquedos e conversando sobre o lado bom de ser criança. Sempre faço parceria com o departamento de arte e figurino. Peço roupas parecidas com as que usarão no filme e material para arte, para que eles encontrem seus ambientes e brincadeiras. Receberam material para que eles construíssem um avião (que faria parte do filme). Dei a ideia de também fazerem um telefone sem fio. Eles ficaram impressionados em conseguirem se ouvir estando distantes através de um barbante e duas latas. Fomos para um parque onde eles andaram descalços, brincaram de correr e de esconde-esconde e se divertiram muito em “serem crianças”. Assim foram “esquecendo” a tecnologia por um tempo. Expliquei que naquela época as famílias jantavam juntas, crianças ficavam na sala com seus pais ouvindo rádio e brincando.

No final do filme, uma das mães veio me agradecer por eu ter feito com que a convivência entre eles tivesse mudado. Agora faziam as refeições juntos conversando sobre seus dias e que seu filho estava curtindo brincar, desenhar como todas as crianças dessas idades deveriam querer e praticar. Poderiam ser estimuladas por seus pais, mas sabemos que na "era digital" isso não acontece. Que bom seria que os pais dessem bons exemplos na educação e convivência familiar.  

Obrigada crianças. Sempre aprendo muito com vocês.

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