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Olga

2003

Preparação de atores e da figuração

Dir.: Jayme Monjardim

Prod.: Nexus Cinema e Vídeo Ltda.

Convencer mais de 120 jovens cariocas a levarem a sério um movimento nazista não foi fácil. O campo de concentração foi recriado numa fábrica em Bangu: 40 graus, roupas de lã e neve feita de sal. A cena final, na câmara de gás, foi preparada o dia todo. Cabeças raspadas, silêncio total quando elas entraram no set. Um único take. 

minha trajetória com o filme

Um filme baseado em fatos reais filmado em estúdio e em locais no Rio de Janeiro. Foi um filme difícil por sua história e de trabalharmos com uma figuração tão distante desses acontecimentos. Me pediram para trabalhar artisticamente também com a figuração e foi um desafio compensador.

Convencer jovens cariocas a levarem com seriedade de que eles faziam parte de um movimento que se iniciara na Alemanha, não foi fácil mas no final deu tudo certo. Mostrava a eles de que nunca estariam rindo naquela situação e para cada erro que eles cometessem eu recomeçaria tudo de novo. Foram entendendo o trabalho, ou seja, que não era só ir para lá e receber o cachê pelo ensaio ou dia de filmagem. Fiquei feliz por eles entenderem a responsabilidade em fazer parte dessa história. Eram mais de 120 jovens. Eles faziam muitas brincadeiras comigo fora dos ensaios, imitando minha “linha dura”, mas sempre com muito respeito e consideração.

Para estimular os diferentes ideias, entre figurantes judeus e alemães, trabalhei com os núcleos em dias diferentes.

O campo de concentração foi criado numa antiga fábrica em Bangu. Temperatura de 40 graus e todos em roupas de lã com nossa neve improvisada feita de sal. Por cima do​ Set, foi colocado um pano branco enorme para fazer com que parecesse nublado. As costureiras foram umas guerreiras em costurarem aquela cobertura tão perfeita para ser “nosso céu” de inverno. O elenco foi maravilhoso em disfarçar o calor que passavam vestidos em roupas de lã. Como sempre, as equipes de maquinaria e elétrica dando show. Para mim são sempre um exemplo de trabalho bem feito, disciplina, respeito com as hierarquias e alegria ao trabalhar. Sou fã.

Na cena final do filme, na câmara de gás, trabalhei com as meninas o dia todo. Ensaiamos no local onde iríamos filmar (um banheiro grande). Foram para uma sala onde ficaram fechadas até a hora de ir para o Set. Eu passava por lá de vez em quando para fazermos alguns exercícios e deixava elas sozinhas novamente. Elas rasparam suas cabeças, foram maquiadas e ficaram nuas apenas com seus roupões. Estive com elas minutos antes de irem para a "câmara de gás" e fomos andando para o set.

 

Nunca vou esquecer a energia daquele momento. Foi tão forte que calou a equipe toda quando elas chegaram. Pedi para o diretor, Jayme Monjardim, para restringir o local onde elas ficariam, e assim, não teriam espaço para "fugirem"na hora do desespero. Ele atendeu. Jayme pediu que eu ficasse  dentro do Set gritando a dor delas, enquanto elas se movimentavam em câmara lenta e a Olga (Camila Morgado) ficaria parada sem expressar nenhum sentimento. Foi impressionante a força da cena. Só fizemos um take e soube que do lado de fora o diretor e todos ficaram bem emocionados. Depois de cortar a cena, bateu o choro em todas nós com muitos abraços de agradecimento e, também, por descarregarmos um dia todo de tensão, dedicação, entrega e respeito por tudo que aquelas pessoas reais passaram em um momento muito triste da história.

Obrigada a todo o elenco e a equipe que deram aulas de competência. Arte, figurino, som e a direção de fotografia com o querido Ricardo Della Rosa, que já está por outras paragens, mas deixou toda sua gentileza e sensibilidade registradas nas suas obras. Foi muito prazeroso estar com a Camila em seus diferentes momentos de preparação. 

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