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Salomé

1997 e 1998 | Salomé de Oscar Wilde

Atriz, ass. direção, preparação dos atores

Dir.: José Possi Neto

Teatro FAAP/SP, Teatro Manchete/RJ e turnê nas principais capitais do país.

peça Salomé

Com direção de José Possi Neto, parceiro de muitos anos, entramos de cabeça em mais uma produção desse grande artista. Através de improvisações guiadas por sua direção, fomos todos encontrando nossos personagens dessa história real adaptada para os palcos por esse grande diretor. Os caminhos foram duros, especiais e cheios de emoções vividas por cada um que participou dessa obra.

A equipe por ele escolhida deu show. No cenário tínhamos metade de água e metade chão, onde também ficava a cisterna do João Batista. Por esses lugares do Palácio do Rei Herodes e sua rainha, andávamos durante nossa estada nesse local misterioso.

Atores que se dependuravam em “escadas soltas” pelo palco. Atriz que usava o ombro de outro ator como se fosse o seu próprio corpo. Uma figura meio mística (que foi minha personagem) que muitos entendiam como uma feiticeira, outros como uma protetora daquele lugar, mas não importa, isso é o teatro, cada um viaja no seu mundo de emoções e imaginação.

João Batista saía da sua cisterna dependurado de cabeça para baixo vestido como o Cristo com uma tanga (loincloth) e uma coroa de espinhos. A plateia ficava muda. Salomé lindamente interpretada pela Christiane Torloni emocionou muitos desde a sua entrada, na sua dança com músicos no palco, até chegar ao final andando pelas águas carregando a cabeça de João Batista dependurada por uma mão.

 

Eu, como assistente de direção, além de atriz, a Torloni como produtora e protagonista, criamos uma parceria de muita fidelidade, o que nos deu segurança para enfrentarmos as dificuldades que aparecem em qualquer produção.

 

Ficamos um ano em cartaz entre São Paulo, no aconchegante Teatro FAAP, no Rio de Janeiro na reinauguração de Teatro Manchete, e por várias capitais do país. A iluminação criada pelo José Possi e Wagner Freire, era um espetáculo a parte. Tinham luminárias dependuradas pelo palco em diferentes tamanhos que davam uma sensação de mistério. Acendíamos incensos para que na entrada o público já se sentissem em outro lugar.

 

A água no palco dava uma impressão de espelho. Percebia que muitos que ao entrarem na platéia, iam tocar para ter certeza do que estavam vendo. Muitas declarações de pessoas que quando entravam na platéia já se sentiam em outro mundo naquele palácio envolto em penumbra, aromas perfumados,  intenções duvidosas e mistérios.

Obrigada José Possi Neto e Christiane Torloni.

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